quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Florence + The Machine- Lungs (2009)


    Lungs é o primeiro álbum de Florence Welch em conjunto com Isabella Sumers, Tom Monger, Robert Ackroyd, Christopher Hayden, Mark Saunders e Rusty Bradshaw. Fora lançado em 2009. O disco se inicia com a música dela que mais fez sucesso e inclusive fora a música-tema do Telecine ao anunciar os filmes do mês.


   Dog Days Are Over é o nome dessa canção e vem para tirar toda a zika do mundo que você possa estar passando de um jeito alegre e dançante. Rabbit Heart vem com uma pegada oriental e uma bateria marcante e fala sobre uma oferenda para o Rei Midas- aquele que tudo transforma em ouro o que toca- para obter a graça.
    I'm Calling You A Liar (Just Don't Lie To Me) é sobre um término atribulado de uma pessoa que mente e sobre a vontade de voltar para essa pessoa mesmo sabendo que é uma péssima ideia e tudo isso ao som da bela voz de Florence que segura de si, conta-nos essa história.
   Howl inicia de uma maneira turbulenta e narra sobre uma noite de êxtase com direito a uivados durante a madrugada. Kiss With a Fist é uma canção sobre um amor violento que chega as vias de fato. O Eu Lírico diz que "um chute nos dentes pode ser bom para alguns, um beijo com o punho é melhor do que nenhum". É uma das músicas com mais pegada Rock'n'Roll do álbum.
    Girl With One Eye é uma das canções pelas quais Florence é conhecida por sua morbidez ao narrar que arrancou o olho de uma garota e que vai arrancar o coração dela se a fazer chorar. Por isso, ela deve dormir com um olho aberto. Drumming Song possui uma bateria bem interessante e rítmica e fala sobre o coração que bate tão alto que parece que pode ser escutado. Coração esse, que bate como uma bateria por uma pessoa especial.
    Between Two Lungs fala sobre o ar exalado pela pessoa que foi para entre os pulmões. Esse ar não pode ser mantido e fora lançado e parece ser o único fio de lembrança da pessoa. Florence tenta suavizar a tristeza ao fazer uma harmonia mais leve, mas sua voz exala decepção e tristeza. Cosmic Love fala sobre a espera de um amor dos céus e com nuances celestiais com uma harpa ao fundo.
    My Boy Builds Coffins é outra canção que Florence aflora o seu lado mórbido ao nos contar que seu namorado constrói caixões e que ele não faz isso apenas por trabalho, mas por prazer. Pois ele já fez um para ele, para ela e para você também. Mas a morbidez pouco é sentida com a voz calma e a harmonização de fundo.
    Hurricane Drunk é uma analogia para o furacão que acontece internamente ao vermos a pessoa que gostamos com outra. É uma mistura de decepção, tristeza, um turbilhão de pensamentos. É o que se pode fazer no momento é beber o seu drink e assistir àquela cena, encarando de frente e de cabeça erguida. Blinding é uma música arrastada que te leva pela batida e You've Got Love vem para levantar o astral e vem para fechar com chave de ouro esse álbum de estreia. A versão internacional ainda conta com Falling. 
   Florence + The Machine é uma das headliners do festival Lollapalooza desse ano e fecha o dia 13. Eu já tive a oportunidade de ver o show dela no Rock In Rio de 2013 e gostei bastante do que vi. Espero que gostem. Não se esqueçam de seguir nossas playlists do Spotify e nos seguir também! Até a próxima!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Dingo Bells- Maravilhas da Vida Moderna (2015)


    Continuando nossos posts sobre o Lolla de 2016, eis mais uma de suas atrações. E essa é nacional! O álbum possui 11 canções e a capa do disco na versão virtual é um gif com imagens sobre a modernidade em contraste com o campo.
    O disco se inicia com Eu Vim Passear que nos mostra os aspectos da modernidade e seus stress combinados com seus "remédios". O Mistério Dos 30 é uma canção bastante progressiva e brinca bastante com o mito da Caverna de Platão e com a televisão, fazendo uma analogia da televisão como a caverna atual.
    Fugiu Do Dia é uma elegia sobre sair por aí sem rumo e preocupações. Pegar o carro e buscar o sol, a praia e o sossego. Com uma harmonia bem feliz e vibrante a música nos convida para seguir esse rumo incerto.
    Dinossauros inicia com um belo violão e com uma bela harmonização com a voz que entra um pouco depois. Ela vem como uma balada que progredi para um som mais cheio e menos intimista. A letra vem com um viés de poema filosófico ao dizer que a nossa imaginação possa estar limitada. Do meio para o final da música, há uma quebra bem interessante e que culmina no refrão.
    Maria Certeza conta a triste história de uma mulher que queria muito casar, mas que fora abandonada no altar e ficou do jeito que mais temia: sozinha. A banda traz essa história de uma maneira suave ao narrar a história. De Olhos Fechados Para O Azar é mais uma canção com a pegada arcadista de fugere urben e do escapismo cosmopolita para o incerto e poder ser livre. E com um riff marcante e uma bateria pulsante a banda traz a vontade de voar e seguir em alto mar.
    Bahia fala sobre a vontade da banda em ir para esse estado e viver de uma maneira mais calma e longe da loucura em busca de uma companhia para as aventuras cotidianas. Com um violão cadenciado e marcante, metais e o espírito livre de se ir para a praia. Hoje O Céu é a oitava canção do disco e fala sobre uma chuva que virá e que o melhor a se fazer é esquecer o ano até o amanhecer com alguém.
    Funcionário do Mês fala sobre as perspectivas humanas, como virar funcionário do mês no trabalho e seguir uma vida parecida com as das famílias da TV. Com uma bateria marcante e um belo coro. A voz principal é bem suave, mesmo em suas explosões. E com uma toada calma, algumas das angústias da sociedade são narradas.
    Anéis de Saturno parece ser uma revisitação de Dinossauros ao abordar sobre meteoros e poeira espacial; permeando a morte e as estrelas. Tudo isso com uma pegada bem calma e leve; com uma aura de anos 80. 
    O disco se encerra com Todo Nó com uma temática pessimista sobre o ciclo da vida que se repete dia a pós dia em contraponto com sua harmonia que é bem feliz com um piano ao fundo Com uma bela voz se inicia esse disco que busca retratar um pouco da loucura moderna 


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Conexões Musicais- Snoop Dogg


    Após a pausa do Carnaval, podemos dizer que o ano acabou de começar! Assim como para nosso blog! Voltamos com carga total e trazemos para vocês, caríssimos/as leitoras/es mais uma atração do Lolla desse ano.
     Calvin Cordozar Broadus Jr nasceu em 1971 e começou a sua carreira pelo Rap em 92 quando fora chamado pelo Doctor Dre para participar de seu single. Hoje, poucas pessoas o chamam de Calvin; ele é mais conhecido como Snoop Dogg.
     Após a participação no Single e no álbum de Dre, Snoop gravou seu primeiro álbum com a gravadora de Dre, a Death Row Records. Antes de assinar com a No Limit Records, ele gravou mais um álbum com a Death Row, o Tha Doggfather. 
     Em 96, ele já era conhecido pelo mundo todo e já colecionava prêmios. Com a No Limit, ele gravou mais três discos: The Game Is To Be Sold, Not To Be Told; No Limit Top Dogg e Tha Last Meal.
     Nos anos 2000, Snoop assinou com a Priority e lançõu grande parte de seus discos por ela. Ele é respeitado na cultura Hip Hop e também pelo Pop e isso lhe rendeu diversas parcerias interessantes. Com nomes de peso do Rap, como: Dre, 50 Cent, Pharrel Williams e do Pop: Kate Perry, Psy, Bee Gees (sim, acredite se possível) e Stevie Wonder. 
     Além de todas essas participações em seus trabalhos, ele também participou de dezenas de projetos, desde filmes até jogos de vídeo game. Impossível fazer uma playlist com todos os trabalhos dessa mente que parece nunca descansar.
     Vocês acham que o trabalho de Dogg termina por aqui? Além do pseudônimo Snoop Dogg, Calvin já se auto cunhou de Snoop Lion (na sua fase Reggae após uma viagem para a Jamaica que lhe rendeu o disco Reincarnated); Dj Snoopadelic (após relançar seu álbum de estreia vinte anos após com uma pegada mais eletrônica) e SnoopZilla (para seu projeto de Funk com o Dâm-Funk)
    A palylist ficou gigantesca. Com 130 músicas. Isso que cortei muitas coisas. Quem quiser curtir o trabalho dele com outros artistas, essa é sua grande oportunidade. Tem Country, House, Rap, Pop, Reggae, Rap, Rock e mais Rap. Sigam a playlist no Spotify e me sigam lá também. Até a próxima!

  

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Die Antwoord- Ten$ion (2012)




    Die Antwoord é um grupo com composições mais voltadas para o Rap de origem Sul Africana no ano de 2008 por Ninja e Yolandi Vi$$er nos vocais e o DJ Hi-Tek nas pick-ups. O grupo mistura diversos elementos da África do Sul, seja o Inglês, o Africâner, o Zulu. Fora as batidas que remetem à cultura local.
    O nome do grupo significa A Resposta em africâner e o grupo apresenta imagens que parecem ser fetichistas, bizarras e non sense em seus clipes e letras e por não se importar com isso seguindo o preceito do Zef- movimento contra cultural local- acaba muitas vezes se envolvendo em polêmicas que poderiam ser evitadas. Por exemplo: O grupo, no clipe de Fatty Boom Boom, faz um tour com "Lady GaGa" por uma África estereotipada com animais selvagens em suas ruas e escapa de um ataque de grupos rivais e fica perdida na Mãe África de concreto. Com claras referências ao Klu Klux Klan com um negro vestindo a indumentária conhecida da facção, Veja o clipe a seguir:
   

     Além do que foi citado o clipe critica duramente GaGa por estar veiculada à grande indústria da música e serviu como forma de justificar o fato de o grupo ter se recusado a abrir os de GaGa. Mas não é apenas sobre ela que o clipe critica. Vejam a imagem que aparece durante o clipe:


     Na imagem, pode-se ver um padre atirando com uma Bíblia contra um monstro de muitas cabeças que são: Lady GaGa, Akon, Nick Minaj, Kanye West e Pitbull. Ou seja, os grandes artistas da mídia fonográfica- que para o grupo não contribui para a música. E esse monstro está defecando ali no canto direito em outro grupo que já fora do mainstream musical, o Black Eyed Peas.
     O vídeo possui outras referências de GaGa, como o seu vestido de carne; referência ao Born This Way. Lady GaGa e Nick Minaj não gostaram nenhum pouco dessa "brincadeira". Além dessa polêmica, houve também a polêmica da Black Face de Yolandi. 
     Para quem não sabe, Blackface é uma técnica muito antiga do teatro e hoje é apropriada pela televisão, donde um ator branco pinta seu rosto de preto e destila esteriótipos com relação às comunidades afro. Especialmente numa época, onde não se tinha pessoas negras atuando. Não que hoje tenhamos pessoas negras fazendo papéis diferentes de motorista, governantas, escravos e afim.
      O grupo justificou alegando que não conhecia o termo blackface e que isso é uma coisa da África. Depois de tudo isso sobre apenas uma das músicas do grupo que está nesse álbum que estou postando.
      Ten$ion é o segundo disco do grupo. Após o lançamento de $O$ em 2010 de maneira complemente independente e online, o grupo conseguiu uma melhor produção nesse disco que tem muito Rap, música eletrônica de qualidade e bastante bizarrice.
      Never Le Nkemise tem uma temática gângster, onde Ninja meio que fala assim: "Não olha para o lado, quem está passando é o bonde. Se ficar de caôzada, a porrada come" Sei que a letra é da Mc Beyonce que agora é apenas Ludmilla e que mudeou completamente o seu som. O nome da música pode ser traduzida, como: "Você não pode me parar".
       I Think U Freak foi a primeira música do grupo que eu conheci. Lá pelos ano de 2012 ou 2013. Agora não tenho certeza. Eu publiquei no meu facebook, pedindo para o pessoal me recomendasse bandas, grupos e afins que possuem mulheres na sua formação; seja em sua totalidade ou não. Tudo após perceber que eu escutava muito material produzido majoritariamente por homens. Die Antwoord fora uma das bandas recomendas. Essa canção tem uma excelente batida e uma temática interessante de inclusão. "I think u freak and I like u a lot"; ou seja: eu te acho bizarro e gosto bastante disso. O clipe também tem uma linha de bizarro, mas atinge outros níveis. Devo dizer que depois de conhecer o clipe, a música: fiquei de boca aberta para com a banda e procurei tudo sobre a banda.

         

     Pielie-Skit possui apenas nove segundos com o Ninja falando e emenda em Hey Sexy que tem uma batida envolvente e uma pegada bem Rap. O trabalho continua com Fatty Boom Boom que já havia comentado lá em cima.
      Zefside Zol- Interlude possui a ideia de não se importar com o julgamento alheio, tudo isso bebendo uma cerveja e amassando a latinha e ficando bem chapado. So What?- Interlude fala sobre o fato de eles estarem na estrada há mais de 20 anos, tentando fazer o som deles. Com uma batida bem interessante de DJ Hi-Tek.
      Uncle Jimmy-Skit e Baby's On Fire estão interligadas e  a segunda possue um videoclip também. A primeira é uma conversa entre Ninja e Yolandi na cozinha que culmina na segunda música que versa sobre o protecionismo machista que homens tem com as mulheres de não as deixarem sair com rapazes, enquanto os homens podem fazer o que quiserem. O clipe fica bem nítido isso na libertação de Yolandi no final.
      U Make A Ninja Wanna Fuck é uma canção bem sexual mesmo com nuances parecidas com as dos rappers dos EUA, mas acredito com palavras mais pesadas e com uma relação de poder muito grande.
      Fok Julle Naaiers significa "Vá se foder" numa tradução literal e é uma excelente música para quem dar a volta por cima, após comentários maldosos. Mande um vá se foder bem alto e cuide de sua vida. DJ Hi Tek Rulez é uma canção para que Hi-Tek possa mandar o som dele e "Fuck u in the ass", acho que é um novo jeito de falar blow your mind. O curto álbum com 38 minutos de duração termina com uma reprise maior de Never Le Nkemise
     Die vai tocar no Lolla desse ano também e é um dos grandes motivos de eu querer ir para o festival, pois desde 2012 quero ver essa galera ao vivo, mas não vai rolar para mim. Até amanhã.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Dônica- Continuidade dos Parques (2015)


     Dônica é uma banda nacional de Rock Progressivo. Sim, é isso mesmo! Uma banda de Rock Progressivo nova em pleno anos 2000. A banda começou em 2011 com José Ibarra (Teclado e voz); Lucas Nunes (Guitarra); André Almeida (Bateria); Miguel Guimarães (Baixo); Tom Veloso (Composição e violão).
     Não sei se repararam bem, mas o último nome citado tem um sobrenome de peso. Sim, Tom Veloso é filho de Caetano Veloso e a priori é apenas compositor da banda, pois ele não costuma se apresentar com a banda. Ele abriu uma exceção e tocou violão no show da banda no Rock In Rio do ano passado. Quer quiser ver a primeira música da apresentação do Rock In Rio, basta clicar nesse link.
    Além do Rock In Rio, a banda também está selecionada para o Lolla 2016 e tocará no Sábado dia 12. Eu já conhecia o som da banda. Fui conhecer justamente que estava numa fase de ouvir produções do rock nacional alternativas, psicodélicas e progressivas. Então, escuta bastante o som deles, assim como o do Boogarins e da banda O Terno.
     O som da banda é de altíssima qualidade. Para uma banda de adolescentes, iniciando a vida adulta agora; o som é deveras maduro, com nuances de delicadeza que não se vê nas bandas de hoje em dia. A harmonia, a letra casam de uma maneira surpreendente. É uma musicalidade pueril, jovial que sabe o peso por anda pisando. Pois o Rock Progressivo tem um público bastante aguçado e crítico, logo não é um dos mais fáceis de ser agradados.
     Mas Dônica faz isso com uma leveza e suavidade que eles estão fazendo mais do que certo. Tocando o som deles, sem se importar com o que possa vir. A estrutura de algumas composições lembram bandas como Le Orme com seus vocais tranquilos e o Clube da Esquina.
    É Oficial é a primeira canção do álbum e quem assina é Pretinho da Serra abre esse trabalho como um belo pontapé de início e transforma o que era sonho em realidade dentro de sua oficialidade. Casa 180 é uma belíssima canção não linear com ares de surrealismo que surge como uma ode aos ouvidos. Com um teclado marcante, presente e bem delineado a canção segue como uma viagem durantes seus 4 minutos e 15 segundos.
    904 começa com uns batuques bem característicos africanos e vem com uma sutileza e tenracidade e com um clima bem praiano e versando sobre o mar. Bicho Burro junto com Casa 180 são as músicas que ganharam videoclipe. Logo a seguir, você poderá conferir o vídeo. Aproveitando a temática do clipe que se passa num carnaval, fica o meu apelo para você não ser Bicho Burro e repetir coisas que são feitas no clipe. Grande partes das coisas se aplicam para nós homens que não sabemos nos comportar em eventos assim e precisamos pensar nossas atitudes.


    Especialmente com relação à mulheres. Não é não. Se a menina não quer ficar com você; vida que segue. Não fique barulhando elas, respeite todas elas; não puxem os cabelos. Acredito que um Olá seja muito mais interessante e saudável do que um puxão no cabelo. Vamos respeitar a folia de todo mundo. Esbarrou em alguém não custa pedir desculpas. Respeite a folia de todo mundo. Não se exceda e pense bem muito antes de fazer qualquer coisa no carnaval. Poderia escrever muitas mais linhas sobre isso, mas acredito que um pouco do recado está dado.
    Voltando para o álbum; Pintor acredito que seja uma realização pessoal da banda ao ter a participação de nada mais, nada menos do que Milton Nascimento- uma das maiores inspirações musicais da banda- e com uma suavidade e com versos ralentados a canção te leva para outros lugares. Macaco No Caiaque é um música que possui um teclado bem mais progressivo do que as outras e conta as aventuras de um macaco alienígena que caí na sujeira que é a Terra e é socorrido por uma vaca em um caiaque.
    Carrossel possui uma bela introdução de guitarra e com a voz de Ibarra a música vai adquirindo uma progressão de crescendo de vai dando mais tensão para a música que explode no verso "Felicidade era viver". Tal efeito é repetido na segunda estrofe da música e durante seis minutos a música de maneira cíclica como um carrossel te leva para rodar e viver. Porém assim como acontece em um carrossel, a velocidade pode ser aumentada.
     Retorno Para Cotegipe parece ser uma daquelas canções sobre aqueles amores veraneios, donde se conhece alguém bacana, mas a pessoa vai ter que voltar para sua cidade natal e vocês nunca mais irão se ver. Tudo isso ao som de uma guitarra bem viajada. Praga é a nona canção da obra e com um teclado similar a um órgão e com uma letra que aparenta ser simples sobre uma praga. A música possui uma harmonia muito bem distribuída entre momentos mais pesados e leves.
     Inverno é uma composição instrumental que uma pegada bem Jazz com um teclado excelentíssimo e com um quê de Mutantes antes da saída do "Tudo Foi Feito Pelo Sol" e durante 5 minutos e 36 segundos, você pode se deliciar com as diversas sessões rítmicas e as diversas quebras e com um solo de guitarra de tirar o fôlego dos/das amantes do virtuosismo. 
      Os 49 minutos do álbum se encerra com Assuntos Bons que em sua temática simples, como um bom papo com uma pessoa que você goste pode transformar um dia meio bosta em algo super bacana. Assim como é a sensação de se ouvir esse trabalho que afasta as coisas ruins e transforma tudo em bom e esplêndido.E o melhor jeito de terminar essa ode ao prazer efêmero, nada melhor do que uma percussão de um sambinha. Espero que gostem do som dos meninos. Até a próxima!
           

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Karol Conka- Batuk Freak (2013)


    Karoline dos Santos Oliveira, ou Karol Conka será uma das muitas atrações do Lollapalooza desse ano. Ela é uma cantora de Rap nascida em Curitiba em 87. Karol começou sua carreira aos 16 anos após ganhar um concurso musical da escola.
    Mesmo sem ter parentes no ramo musical, Karol decidiu abraçar esse mundo e participou de dois grupos de Rap antes de partir para a carreira solo. Com suas músicas na plataforma MySpace, ela foi alçada e começou a fazer parcerias com o Projota, por exemplo. A partir desse ponto, sua carreira decolou.
     Outra participação interessante de Karol com outros artistas foi a com o Tropkillaz (grupo eletrônico) com a música Tombei que pode ser conferida logo abaixo.


    Batuk Freak é o primeiro álbum dela e vem com uma mistura muito louca de muitos ritmos, desde o Rap até ritmos africanos do Candomblé. É um disco bem eclético e dançante, mas não deixa de ter letras fortes e críticas à sociedade.
    Conka teve a produção de Nave, que para ela é um dos melhores produtores do meio, ao tentar deixar o lado de cada MC aflorar. Mas ele tem a assinatura de quase todas as canções junto com Karol.
    O álbum começa com Corre, Corre Erê que tem uma pegada bem afrobeat com um sample que parece alguma música do Nação Zumbi e aborda a questão da criança interior que temos que sempre quer correr por aí e desbravar o mundo. Erê no candomblé é a criança interna de cada pessoa e o intermediário da pessoa para seu orixá.
    Gueto Ao Luxo começa com tambores parecidos com os do Olodum e tem uma batida eletrônica interessante. Traz a questão que o Gueto está mais dentro do luxo que se imagina. Mostra a dicotomia entre ambos os mundos, mas mostra quando eles se assemelham também. 
     O álbum continua com uma espécie de repente que se transforma numa batida em loop e traz o empoderamento feminino como mote. De botar a cara no sol e ir conquistar as coisas que queiram, sem se preocupar com o que possam dizer. E tudo está retratado em Vô Lá.
     Gandaia: com esse nome, não é necessário dizer sobre o que a música canta. Diversão é o que essa música traz com sua batida envolvente e bem marcada. Ótima canção para bater cabelo "Cazamiga" e curtir até o Sol nascer.
    Você Não Vai é uma canção para quem gosta de criticar e colocá-la para baixo, com um mote de superação e "de que eu consegui e cheguei lá ao contrário de você". Tem uma pegada mais Rap, com ótimas rimas. Bate A Poeira continua na linha de crítica, mas busca trazer o respeito e a paz para as diferenças que temos na vida: credo, classe social, raça, gênero, sexualidade e afins. O que você deve fazer é bater a poeira das críticas e seguir sua vida.
     A metade do álbum já chegou e nem se sente ele fluindo. O tempo passa e não se sente, a batida é o que se sente e com isso se chega à sétima composição do disco que conta com a participação de Rincon Sapiência e num estilo Reggae/Dub Sandália vem cativando os ouvidos nesse grito de liberdade feminina de busca pelo mundo sem se importar como, apenas indo cada dia após o outro.
     Mundo Louco e Que Delícia mostram um pouco do lugar que Karol veio e como ela se sente com relação ao sexo e aos prazeres carnais com uma batida sensualizante e com um violão na marcação.
     Olhe-se tem a participação de Tuty e com uma pegada de Rap mesmo vem como um mantra para que você se olhe e se conheça. Já dizia Sócrates: "Conheça a ti mesmo". Então vamos pegar esse espelho imaginário e nos conhecer fisica e mentalmente. 
     Boa Noite já havia sido lançado como um single pela MTV em 2011 e tem uma pegada de saberes tradicionais com um cântico entoado por mulheres e mostra símbolos musicais de Karol e tudo o que aprendeu nessa sua caminhada. O álbum termina com a música Caxambu, a única que Karol não assina. Com uma pegada de Funk e batidas de tambores a música flui. Caxambu é um ritmo musical de origem africana que chegou ao Brasil há muito tempo atrás e é tido como o norteador do Samba Carioca.
     Espero que gostem desses 39 minutos de misturas com elementos antigos com coisas novas. Até amanhã.
       

domingo, 31 de janeiro de 2016

Conexões Musicais- Negra Li


     Liliane de Carvalho, mas pode chamá-la de Negra Li que ela não se incomoda, nasceu na fria e cinzenta São Paulo em 1979. Já fez de tudo nessa vida correria da música. Já fez série de TV; já foi solista do coral da Universidade de São Paulo (USP); já cantou com meio mundo por aí.
    Sua origem: o rap, a quebrada e a batida. Mas nada disso impediu que ela cantasse com Caetano Veloso, Nando Reis, Skank, Pitty, Jeito Moleque entre outras bandas e pessoas do música.
    Negra Li iniciou a sua carreira musical com 16 anos no grupo de rap chamado RZO (Rapaziada da Zona Oeste), grupo esse que já teve Mestre Sabota nos microfones. Depois ela seguiu carreira solo e em 2014 retornou para o grupo.
     Como eu disse lá em cima, Negra Li participou do seriado da Rede Globo, chamado Antônia em 2006 e ela- juntamente com suas colegas de cena- compôs e gravou algumas das canções que passam no seriado que teve duas temporadas e um filme.
    Escutem o som dessa mulher que vale a pena. Até a próxima pessoal!

  

sábado, 30 de janeiro de 2016

Supercombo- Amianto


    Supercombo é uma banda nacional que surgiu em 2007 no Espírito Santo, mas que se consolidou em São Paulo. Como o nome sugere, a banda é uma miscelânea de estilos musicais do Rock. Tem pegadas Stoner, Eletrônico, um pouco de Hardcore entre outras coisas.
    A banda atualmente é composta por Leonardo Ramos (Vocal e guitarra); Pedro Ramos (Guitarra); Carol Navarro (Baixo); Paulo Vaz (Teclado) e Raul de Paula (Bateria) e está no seu terceiro disco. Amianto é um álbum de 2013.
    Supercombo estará no Lollapalooza desse ano e tocará no sábado dia 12. Ainda não saíram os horários de cada show. Mas possivelmente será de dia ainda, pois o evento tem o péssimo hábito de colocar as bandas nacionais nos horários mais cedo e vazios do festival. Tanto é que o Lobão foi chamado para tocar no festival e ficou revoltado com o horário e propôs um boicote ao evento por não valorizar as bandas nacionais. (Acho que essa foi a primeira vez que concordei com alguma crítica do Lobão nos últimos dez anos ou mais)
    Supercombo participou do programa Superstar da Rede Globo na segunda temporada e ficou no Top12 do programa. Eu particularmente aprecio mais o som do Supercombo do que o do Scalene, mas opinião é que nem braço... Ainda não consegui decidir se gosto ou não do som deles. Tem músicas que me cativaram totalmente, mas outras não conseguem prender minha atenção. Possivelmente são as com uma pegada mais comercial.
    Escutei os três trabalhos da banda e escolhi o álbum mais recente por achar o som mais maduro e diferentão, mas o primeiro álbum (Festa?) é um disco bem bacana também. Acho que preciso ouvir a banda algumas vezes mais para afinar o meu gosto.
    A banda costuma ter letras otimistas, mas sabem fazer músicas melancólicas.O disco começa com Matagal que retrata um começo ao narrar um simples fato de acordar e levantar da cama e a nostalgia de ser criança sem responsabilidades. A canção é a menor do álbum e finaliza com um belo teclado ao fundo.
    Campo de Força retrata um caso de amor meio platônico, idealizado e inatingível. Tem uma pegada um pouco comercial e dialoga com o público mais jovem. A música tem uma vontade de ser Rock, mas fica faltando um pouco mais de atitude. De gritar aquele FODA-SE bem alto, sem se importar com as consequências...
    Piloto Automático tem um refrão cativante e uma temática reflexiva interessante ao nos mostrar que temos que sorrir mais e celebrar a nossa vida e parar de reclamar das coisas e simplesmente viver. A banda consegue fazer com que a harmonia ande junto com a letra e a sensação que você tem é que a melodia vai te carregando ao longo desses 3 minutos.
    Menino é uma boa retratação da vida moderna, cosmopolita da cidade grande em contra composição da vida do campo. Nessa toada de Fugere Urben bem arcadista que essa canção traz situações como a poluição e o esgoto em frente ao céu limpo do campo e dos riachos para banho do campo.
    Sol da Manhã é otimista também e possui um refrão bem marcante e repetitivo. Gosto bastante da ponte que tem para o refrão. A música é calma e delicada de uma maneira bem medida e sabe aproveitar seus crescendos.
    O Peso da Cruz é uma pequena mostra de que o som da banda pode ser melancólico e sofrido, mas ainda tem aquele quê otimista e dançante que o disco vem mostrando. No final da música tem uma parte dissonante que é bastante interessante entre a guitarra e o resto do som, mostrando um pouco mais de atitude e experimentalismo.
    Ela é uma música que mostra bastante como a banda gosta de brincar com seus refrões e mudar as palavras de cada refrão, assim como fazem em outras canções. Essa composição tem uma pegada um pouco mais Rock, mas eu sinto falta de explosão, sei lá... (Ou será que estou sendo chato demais e não estou conseguindo avaliar direito?)
    A oitava canção é Fundo do Mar é bem mais ralentada e devagar. Tem um quê de experimental e uma bateria muito bem construída com um excelente bumbo, sessões ritímicas bem marcadas e boas viradas. O vocal também está bem cru e interessante.
    Soldadinho começa com um teclado bem bacana e uma bateria bem contagiante e versa sobre a infância e sua simplicidade. Das brincadeiras, das junkies foods, da nostalgia de ser uma criança. Memorial é a décima canção do disco e também tem temática nostálgica de se ver o tempo passando e a vontade de voltar para o passado. Gosto bastante do vocal dessa música devido às quebras na música. A voz está bem doce e tenra.
    Autonomia versa sobre a luta para não se deixar abalar com as mazelas do mundo. É um grito de liberdade para nossa mente que tem toda a autonomia do mundo, mas que precisa ser colocada no chão de vez em quando. O álbum tem uma guinada de otimista para intimista/melancólico desde Fundo do Mar que chega ao seu ápice em Amianto.
    Amianto é, na minha humilde opinião, a melhor música do disco. Com uma letra profunda, densa, tensa; a banda nos transporta para a melancolia já em seu começo com a voz e o piano. A letra versa sobre uma moça que quer se matar e o Eu Lírico tenta evitar ao abordar questões da vida e compara a vida e a morte com a mãe e o pai respectivamente. Gosto bastante do clima de tensão que a banda cria antes do verso "Que a vida é como mãe..." ao utilizar o silêncio. O verso do pai é bastante bonito também e sombrio. Com isso, este trabalho se encerra bem diferente do jeito que começou; com uma lição de que "Mas tudo bem, nem sempre estamos na melhor".
    Espero que gostem do som e para quem deseja ir ao Lolla, acho que vale a pena conferir o show deles para saber como são ao vivo. Até amanhã com mais um conexões musicais.   
       

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Marina And The Diamonds- FROOT


     Marina Lambrini Diamandis é uma cantora galesa que se apresenta como a alcunha de Marina And (ou &) The Diamonds. Diamonds significa diamantes em inglês e a escolha de seu nome artístico se deve ao fato de seu sobrenome "Diamandis" também significar diamantes, porém em Grego.
     Muita gente imagina que Diamonds seja uma referência a sua banda de apoio, porém Marina declarou em seu MySpace que "I'm Marina, You´re the diamonds" e com isso ela chama o seu público de diamantes.
     Marina irá se apresentar nesse ano no Lollapalooza em São Paulo depois do cancelamento no ano passado de sua apresentação no mesmo festival devido a um atraso de vôo. Agora, imagino que os fãs torçam para que tudo ocorra bem na vinda da cantora para o Brasil. Houve um boato que Marina não pegara o vôo devido ao fato de estar numa balada. Mas nada foi confirmado oficialmente (até onde sei).
     O som de Marina é uma miscelânea de sons que dialogam com o pop, eletrônico e o rock alternativo (bem a cara do Lollapalooza na minha opinião). FROOT é seu terceiro álbum de estúdio com 12 músicas que permeiam a solidão, a tristeza, a natureza humana, a auto-crítica entre outras coisas. Tudo isso com uma pegada leve e dançante.
    O álbum começa com Marina cantando à capela em Happy cuja letra não é bem feliz assim, o álbum tem 53 minutos de duração e é uma delícia de se ouvir quando se está distraído ou prestando a devida atenção.
     Froot é a segunda música do disco e homônima ao álbum e vem como uma balada de certa forma oitentista especialmente pela batida e pela modulação da voz de Marina. I'm A Ruin é uma auto crítica de Marina sobre ela se amar demasiadamente de uma maneira egoísta.
    Blue é a quarta do álbum e traz uma temática de rompimento de relacionamento e aquele medo de ficar sozinha/o e por mais que você não goste mais da pessoa, você quer insistir para não mais se sentir triste e solitário/a. Tudo isso ao som de um sintetizador com um ar de balada para não deixar a melancolia bater. Forget é uma canção que fala sobre tentar esquecer e seguir em frente, mesmo que você não seja aquela pessoa forte.
     Gold é a sexta música e aborda a questão de dinheiro e coisas que não podem ser compradas, como o amor por exemplo. A música tem letra bastante forte e segura. Gostei das rimas internas dos versos que Marina fez com Eldorado e Colorado e adorei às analogias com ouro, especialmente a Midas (o Rei que em tudo que tocava, virava ouro). 
     Can't Pin Me Down é uma música que pode ser definida com uma palavra: empoderamento. É uma canção sobre as mulheres do século 21 e o fato de que estão cansadas de serem tratadas como objeto descartável. Essa canção busca abrir os olhos especialmente de mulheres que se condicionam e aceitam o Status Quo. Serve também como um recado para nós homens que o mundo já deu voltas demais para continuarmos com certos pensamentos.
     Solitaire é a sétima canção dessa obra e uma das mais melancólicas da mesma. Aborda a questão da solidão como refúgio para pensar na vida, nos erros e nos acertos. Acredito que ela captou muito bem nas palavras e na harmonia da música como é essa sensação de reclusão para parar um pouco com as atribulações da vida. Solitaire emenda muito bem com Better Than That que versa sobre uma mulher que sabe o que quer e não mede esforços para conseguir. Ela não idealiza príncipes encantados e não está esperando por ele como uma princesa Disney. Ela vai viver, experimentar, saborear o mundo e quando acha algum potencial, a única coisa que pensa é que poderia ser melhor.
     Weeds possui um belo solo de guitarra apesar de curto e traz aquela lembrança de que se poderia fazer um jardim com tantos flores que ela recebera na vida. Mas ela não consegue cortar o mal pela raíz. Savages traz a questão da violência humana, como o atentado na maratona de Boston e como sempre queremos mais e não medimos esforços para conseguir; mesmo que custe outras pessoas. A canção tem  muitas frases de impacto, como: "Eu não tenho medo de Deus/ Tenho medo do homem" (Tradução livre feita por mim).
     Immortal encerra esse disco com uma pitada de morbidez e melancolia através dessa balada de 5 minutos que traz a tona a vontade de se viver para sempre. O que se conclui é que a única certeza que temos é a morte, mas podemos dar um jeito de sermos imortais, especialmente quando se está no coração de alguém.
    Espero que gostem do álbum e que for ao Lolla, confira o show dela. Ano passado ela já estava prometendo muitas coisas. Talvez esse ano, ela surpreenda. Até a próxima.
     


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Lollapalooza 2016


     Lollapalooza é um festival de música que abarca diversos estilos musicais, desde o rock alternativo até o rap; permeando a música eletrônica e o pop. Ou seja, é um festival diverso e que costuma agradar qualquer ouvido, pois sempre haverá algum som em um dos três palcos que o evento possui.
     O evento foi idealizado em 1990 por Perry Farrell e Bill Graham. Perry pensou no evento como uma forma de fazer a última turnê com sua banda a Jane´s Adiction e contou com nomes importantes do movimento da época, como: Living Colour; Ice T; Nine Inch Nails; entre outras.
     O festival continuou acontecendo anualmente sempre trocando de cidade pelos EUA e Canadá; até que depois da edição de 97, o festival parou de ser realizado e voltou à ativa em 2003. Porém a edição de 2004 foi cancelada. Com isso, a edição de 2005 foi repaginada e o festival passou a ser realizado sempre em Chicago.
     O termo Lollapalooza tem como etimologia: "Uma extraordinária ou incomum coisa, pessoa, ou evento: um exemplo excepicional ou circunstância" e também passou a significar um pirulito grande (por isso: um dos mascotes do festival está com um pirulito na mão). O nome surgiu após Farrell ouvir a palavra em um episódio dos Três Patetas cuja sonoridade o agradou.
     O festival teve sua primeira edição fora da América do Norte em 2011 e fora realizado no Chile. Com isso, o festival desembarcou no Brasil, na cidade de São Paulo, em 2012 e trouxe como grandes atrações Foo Fighters e Arctic Monkeys. Desde então o festival acontece anualmente em São Paulo na época da páscoa ou próxima a essa data.
     Tive a oportunidade de ir a duas edições do festival aqui no Brasil em 2013 e 2014. Em 2013, eu fiquei encantado com o festival, pois foi uma excelente oportunidade de conhecer sons de bandas que nunca havia escutado e que hoje sou bastante fã, como: Alabama Shakes, Gary Clark Jr, Two Door Cinema Club. Foi a primeira vez que vi Queens Of The Stone Age ao vivo (depois dessa, já vi a banda mais duas vezes). Foi nessa edição que comecei a estreitar meu laço com a música eletrônica quando vi o set do Steve Aoki. Além desses shows, eu vi Criolo cujo trabalho já conhecia.
    Vi isso tudo em um dia apenas. Pois só fui em um dos três dias em 2013. Na edição de 2014, eu não pretendia ir; mas quando confirmou Muse, comprei o ingresso na hora. Porém a edição de 2014 me deixou muito a desejar. Pois houve a mudança do local do Jockey para o autódromo de Interlagos, ou seja: saiu de uma menor, com os palcos em uma linha reta para um local enorme com palcos muito distantes. Resultado: Consegui ver apenas três shows, sendo que o primeiro que vi já estava acabando. Consegui assistir apenas: Imagine Dragons (de muito longe); Flux Pavillion na tenda eletrônica e Muse. Perdi mais tempo andando para lá e para cá do que vendo shows.
    Com isso, deixei de ver diversos shows que poderia assistir, mas optei por não ir com receio de perder muito tempo na transição de um show para outro. Nisso, perdi shows da Lorde, Phoenix, NIN entre outros que não lembro agora.
    Disseram que isso melhorou para o ano passado, mas não estava lá para conferir. Fato positivo e negativo que o festival possui ao mesmo tempo: Muitas bandas. Ele é positivo, pois é mais chance de conhecer novos sons; porém o fato de os palcos ocorrerem simultaneamente é um ponto negativo, pois você sempre vai ter que escolher o que assistir. 
    A edição de 2016 vem com nomes muito fortes, como: Eminen, Snoop Dog e Emicida, Karol Conka na parte de Rap e Hip Hop; Tame Impala, Munford & Sons, Florence + The Machine e Alabama Shakes, Marina And The Diamonds na parte rock alternativo e a parte da música eletrônica está bem representada com Zedd, Zeds Dead, Jack Ü. A programação por dia de festival, pode ser conferida na imagem abaixo.

    A equipe No Stereo está com uma perspectiva de trazer reviews das bandas que irão tocar no festival. Devemos começar com as bandas mais desconhecidas para que vocês possam conhecer o trabalho e já começar a optar qual show ver ao vivo ou na sua televisão. Para que comecem a entrar no clima, preparamos uma playlist com algumas músicas de alguns artistas que tocarão no festival desse ano.
  

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Arnaldo Baptista- Loki?


    Arnaldo Baptista, para quem não ainda não conhece, fez parte de uma das maiores bandas de Rock Progressivo do país, Os Mutantes. A banda era composta por Sérgio Dias (guitarra, baixo e vocais); Rita Lee (vocais); Liminha (baixo); Dinho Leme (bateria) e Arnaldo (teclado, guitarra e voz). Mas na minha opinião, Os Mutantes cresceram e foram para uma outra fase (que particularmente me agrada mais musicalmente) bem mais progressiva e Arnaldo compôs um dos discos que fora considerado um dos melhores da década de 70 nacionalmente.
     A história de vida de Arnaldo é bem loki e interessante e pode ser conferida no documentário de 2008 com o título de Loki- Arnaldo Baptista com direção de Paulo Henrique Fontenelle com diversos relatos sobre a trajetória desse músico. O YouTube possui uma versão fragmentada do filme, que pode ser visto a seguir:



    Porém, não estou aqui para falar sobre o documentário. Estou aqui para falar do álbum que trouxe essa alcunha para Arnaldo, que havia saído dos Mutantes e seu relacionamento com Rita Lee estava finalizado e enterrado, mas apenas para um dos lados. Arnaldo sofreu um surto psicótico (não acredito que essa seja a verdadeira expressão, acredito que os termos "bad", "loucura" talvez se apliquem) que ficou brilhante chamado de Loki.
     O que mais gosto da palavra Loki é que ela remete à loucura e ao irmão de Thor (que também tem o seu quê de Loki). Enfim, desvairos a parte. O álbum é uma excelente composição de 10 canções que possuem nuances únicas. O mais curioso do álbum solo de Arnaldo pós Mutantes é que o Mutantes não havia saído de fato dele, pois todos os músicos da banda participaram da gravação do disco. Rita Lee participou do vocal de duas músicas e o resto da banda ficou no apoio dos outros instrumentos.
     A obra inicia com uma angústia de Arnaldo com Será Que Vou Virar Bolor?, ou seja: O medo de ficar sozinho, sem se mexer, deixando a bad te vencer, de simplesmente virar um fungo. Mas Arnaldo tem muito mais a falar nessa canção do que sobre a solidão. Ele critica a nova onda do rock com o Alice Coopper e finaliza a canção mostrando um rock'n'roll de raiz com uma pegada bem blues com um teclado bem Jerry Lewis.
    Uma pessoa só é a única música que fora creditada aos outros membros da banda e começa com uma aura de balada romântica ao teclado que vai adquirindo uma pegada mais densas ao se usar bastante trinatos e arpejos. Claramente a canção aborda a questão da banda que são todos numa pessoa só. Arnaldo cita o álbum "O A e O Z" do Mutantes e canta: "Você também está tocando/ Você também está cantando" que pode ser visto como uma forma de dizer que a banda não funciona mais como antes, mas que continuam unidos.
    Eu não estou nem aí é a canção da volta por cima de Arnaldo após quase morrer durante seu período Loki e que ele afirma não mais temer a morte, a sorte. Arnaldo afirma que quer decolar toda manhã, isso- ao meu ver- é uma referência ao uso de entorpecentes (pois a analogia que se faz quando as pessoas estão doidas de drogas é que a nave decolou). Nessa canção e na próxima Vou Me Afundar Na Lingerie são as duas participações de Rita Lee.
    A quarta música é um retrato da tentativa de superação do relacionamento dele. A quinta música Honky, Tonky (Patrulha do Espaço) é uma composição instrumental belíssima, apesar de curta. Mostra a faceta mais sóbria de Arnaldo ao trazer um teclado aos moldes dos bares de Honky Tonk que é um estilo musical derivado do Jazz e que tocava nos estabelecimentos de caráter duvidoso.
     Após a pausa de sobriedade, Arnaldo vem com Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki? que é uma mostra de um pouco da vida dele e de suas coisas e loucuras. A dúvida que o próprio nome da música pode gerar é que: Será que ele está tentando convencer a ele mesmo que não é Loki ou será que ele quer nos convencer de que não é?
    Arnaldo cita um evento que acontece no Nordeste que é a Cilibrina (a grafia pode ser com "S" ou com "C"), evento cujo mote é anunciar a chegada das festas juninas. Nessa festa se tem bastantes fogos de artifício, guerra de espadas, cachaça e muito pífano. Mais sobre essa celebração popular, pode ser vista a seguir:



    Desculpe é a sétima música e é um grande desabafo com um excelente sintetizador. Por mais que seja um pedido de desculpas, com um grande apelo ao reconhecimento de erros, Arnaldo reconhece que é apenas humano e que possui falhas, mas que há erros de todos os lados. Navegar De Novo é a canção mais melancólica do disco (tem uma pegada bem Beto Guedes no seu início) e que não aborda apenas a questão do eu que sofre, mas também da sociedade que sofre (Acredito que essa música tenha bastante influência da fase de Atlas de Drummond). Mesmo sofrendo, Arnaldo não deixa o seu lado Loki de fora ao soltar um grito bem diferente dos convencionais.
    Quando Arnaldo fala o nome da música, percebe-se que ele faz um sotaque bastante português. O que me faz remeter a duas referências estritamente portuguesas, a primeira é Fernando Pessoa que escrevera o poema Navegar é preciso e a segunda são as navegações portuguesas que rumaram ao incerto em busca de novos lugares. Independente de qual fora a real intenção de Arnaldo, fica nítido que ele quer rumar novos mares, curtir novos ventos e seguir para o próximo destino que é incerto.
    Te Amo Podes Crer é a penúltima música dessa obra e é umas das mais complexas, pois possui muitas variações rítmicas ao longo. É a canção de quem tomou um pé na bunda, mas que tem esperanças de que no final vai dar tudo certo e ambos ficarão juntos no final. É Fácil encerra esses 33 minutos de diversão e angústia de maneira feliz com o virtuosismo de Arnaldo num violão de 12 cordas e que finaliza com a junção do acústico com o eletrônico ao brincar com um sintetizador no final e com a alternância das saídas do som. Espero que gostem desse álbum. Até a próxima!

domingo, 17 de janeiro de 2016

Conexões musicais- BNegão


    Bernardo Santos, mais conhecido como BNegão, é um carioca nascido em 72 que respira e transpira música desde cedo quando fundou a primeira banda ainda na escola: Perfeição Nenhuma Small Band e Engenharia de Som Ltda. Depois entrou na banda Juliete. O único material que consegui encontrar fora esse:


   Bernardo se juntou à banda Missed In Action que é de Niterói e depois acabou entrando para o grupo Planet Hemp ao substituir Skunk nos vocais após a sua morte. BNegão dialogo com diversos estilos musicais, desde o rap até o hardcore. Permeando pelo reggae, ska entre outros.
     Nas diversas idas e vindas do Planet Hemp, ele tocou com a banda The Funk Funkers; Turbo Trio e a banda que continua até hoje a BNegão & Os Seletores da Frequência. BNegão é bastante requisitado por bandas e músicos para participar de músicas. Por exemplo, o Skank e o Autoramas já chamaram BNegão para participar de seus discos recentes. Confira a playlist desse grande compositor e cantor nacional. 
     À propósito, spotify não possui nenhuma música do Planet Hemp, mas segui a seguir a filmagem da participação recente da banda no Lollapalooza de 2013, o material da banda Missed In Action pode ser conferido, clicando no nome da banda. Até a próxima!




quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Ellen Oléria- Peça


    Esse é o primeiro álbum da carreira de Ellen Oléria. Nascida aqui em Brasília, lá de Taguatinga bem perto da Ceilândia; na região do Chaparral. Ellen se formou na Universidade de Brasília no curso de Artes Cênicas e seu dote musical fora desenvolvido de uma maneira bem auto didata. 
    Ellen ganhou diversos festivais de música da cidade, como o FINCA (Festival Interno de Música Candanga da UnB); Prêmio Sesc Tom Jobim de Música e o Festival e Música dos Correios. Cada uma dessas competições, Ellen ganhou pelo menos duas vezes. Mas o "festival" que Ellen ganhou que a colocou de maneira absoluta no setor comercial da música nacional fora o The Voice- Br do canal de televisão Rede Globo.
    Ellen entrou no programa (que estava na sua primeira temporada) interpretando uma música de Jorge Ben- Zumbi. Durante sua apresentação, os quatro jurados viraram suas cadeiras para ela. Ellen optou entrar para o time de Carlinhos Brown e fora a grande vencedora do programa.
    Mas antes de colher os louros do The Voice, Ellen batalhou bastante no cenário musical do DF para conseguir se consolidar. Ela fora backing vocal do rapper GOG aqui na cidade e começou a sua carreira de maneira mais solo ao se juntar com a banda Pre.utu que tem Célio Maciel na bateria; Paula Zimbres no baixo; Pedro Martins na guitarra e Felipe Viegas no teclado. Com essa banda, gravaram esse disco em 2009.
    Ellen, mulher, negra, homossexual e de periferia transporta todas essas questões para sua música de uma maneira bem dura, como se fosse um tapa na cara da sociedade mesmo. Ela escancara a porta do preconceito de um jeito firme em sua voz, mas com um jogo de palavras bem montado.
    Peça é um disco que possui diversas influências musicais, desde o rap até a bossa nova e a MPB. Acordes precisos, harmonias bem construídas levam esse álbum para a gente. A obra começa com Posso Perguntar? que conta a história da pessoa amada indo embora e como a gente fica triste quando isso acontece, mas tudo isso com uma voz doce e linda. Bateria sincopada e acordes de violão bem tocantes.
    Mandala já mostra o lado que Ellen quer mostrar para o grande público da periferia, a falta de oportunidades, da vontade de sair daquele lugar. Tudo isso, com um clima um pouco mais acelerado do que a primeira música.
   Testando fora a primeira música que ouvi dela ao vivo numa apresentação que ela abrira para o Gilberto Gil aqui em Brasília lá no Centro de Convenções (e o melhor de tudo: fora de graça). Essa canção que tem uma pegada bem Rap e mostra as contradições da sociedade, especialmente a do DF. Fala da insegurança que as mulheres tem ao andar de noite pelas ruas, das pessoas que mudam de lado ao passar por ela, entre outras coisas relatadas na música.
    Senzala (A Feira da Ceilândia) é um retrato social bem marcante entre a dicotomia entre camelódromos e os shoppings. Numa clara analogia entre a Casa Grande (Shopping) e a Senzala (Feiras da periferia) e que a feira se faz importante para a comunidade local como forma de entretenimento e compras.
    Brado e Ato II são músicas mais intimistas e que tratam a vontade de soltar aquele grito de dentro do peito, mas que se sabe que não será escutado por ninguém. A outra música traz realidades da periferia, como assistir à televisão e a sensação de insegurança que não é proveniente apenas dos bandidos, mas também da polícia que age de forma truculenta nas classes mais baixas.
    Após os momentos intimistas, Só Para Constar quebra esse clima e vem de forma gostosa e cadenciada, lembrando bastante a bossa e um pouco dos sambas antigos. Natural Luz é a oitava canção deste trabalho e traz bastante referências ao cerrado, não apenas ao usar a palavra cerrado, mas relatando algumas árvores típicas daqui.
    Não-lugar é uma bela canção de desilusão amorosa de caminhos que não continuam e tem que continuar separados. Prólogo é uma música instrumental curta com uma pegada de forró pé-de-serra que introduz para Forró de Tamanco que como o próprio nome diz é um forró para se bater o tamanco no chão. Essa é a única música que não fora composta por Ellen e tem uma pegada mais rock'n'roll no meio da canção.
    Pedro falando Com o Reflexo é uma música que expressa bastante o estilo de voz e musical de Ellen que lembra bastante a música Jack Soul Brasileiro de Lenine. O álbum termina com Senzala (Remix) que tem a participação do Gog pelo o que pude notar, mas não achei em nenhum lugar confirmando isso. Mas a voz parece bastante com a dele.
    Espero que gostem do disco e do que a cena de Brasília tem a oferecer.
     

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Blackstar- David Bowie


    David Robert Jones, muito mais conhecido como David Bowie nasceu dia 8 de janeiro de 1947 e veio a falecer ontem dia 10 de janeiro de 2016. Ou seja, Bowie passou dessa para uma melhor dois dias após o seu aniversário e dois dias após o lançar seu última álbum, denominado de Blackstar.
    Bowie estava com um câncer (procurei por toda a internet qual seria o câncer, mas não achei nada) havia 18 meses e esse álbum fora gravado como uma despedida desse plano terreno e uma maneira linda de celebrar a vida e a obra desse artista que rompeu com os paradigmas de sua época.
    A vida de Bowie e toda a sua carreia não cabem nesse pequeno post, pois Blackstar é o seu vigéssimo quinto álbum de estúdio. Mas sugiro procurar mais sobre a vida deste ícone em livros, reportagens, filmes entre muitas coisas que Bowie participou ou escreveram sobre ele.
    Blackstar inicia com a música homônima que é uma canção com 9 minutos com bastante saxofone e uma pegada de Jazz com uma mistura de Space Rock, com uma letra desconexa e que pode soar repetitiva, mas grande parte das vezes que se escuta a palavra "Star", nem sempre o adjetivo "Black" está associado a ela. Bowie aproveita essa música para dizer o que ele fora e o que ele não fora nessa vida. Ele fala que não é um popstar; nem uma estrela do cinema; nem uma estrela do pornô; nem uma estrela branca. Ele é uma estrela preta. 
     Blackstar também virou clipe que pode ser conferido logo abaixo. O clipe também possui nove minutos e funciona como um curta surrealista de certa forma. A letra da composição já dá margem para interpretações de cultos pagãos similares aos descritos por Aleister Crowley (famoso ocultista). O clipe fica mais nítida essa relação. Enfim, vou parar de falar sobre o clipe e vou deixar vocês terem suas próprias conclusões:


    'Tis a Pity She Was a Whore é a segunda música do álbum e tem um belo coro vocal, piano e metais seguindo a ideia meio Jazz da primeira canção. Existe um livro com um título bem parecido, mas acho que não são relacionados ao meu primeiro olhar. O livro se chama "Tis a Pity She's a Whore", mas a história aborda incesto entre irmãos e a música parece não versar sobre isso.
    Lazarus é a composição que Bowie parece falar sobre sua situação e o clipe mostra a mesma coisa. Primeiro, vou falar sobre a música que tem versos poderosos e uma onda melancólica. Bowie fala com naturalidade sobre a sua partida, sabendo que estará livre, que poderá voar como um pássaro. Ele fala também que não tem mais nada a perder. O clipe- que também pode ser visto a seguir- mostra Bowie em uma cama com lençóis brancos, paredes brancas numa clara alusão a um hospital.


    Lazarus mostra o mesmo personagem do camaleão com os olhos vendados e com olhos de botão. Mesmo essa música sendo um grande passo na aceitação de sua ida, o que me parece é que Bowie gostaria de voltar para a Terra, assim como acontecera com Lázaro após ser ressuscitado por Jesus.
    Sue (Or In A Season Of Crime) é uma composição mais agitada, porém Bowie a canta de maneira mais ralentadae narra a história de uma pessoa chamada Sue que aparentemente terá em sua lápide a inscrição "Sue, a virgem" que abandona o Eu Lírico por outra pessoa e deixa apenas um bilhete.
    Girl Loves me é a quinta desse curto álbum que traz uma voz doce de Bowie, uma bateria bem marcante e Dollar Days é outra balada que fala sobre que Bowie está morrendo também e que deseja rever algumas coisas novamente, mas que ele está tentando.
    I Can't Give Everything Away pode soar como um último suspiro de Bowie por ser a última música do álbum ou por ser a última música que ele comporia em vida, mas a sétima canção desse belíssimo álbum mostra a faceta lúcida dele, mesmo passando por um tratamento pesado, um momento pesado. Mesmo assim, ele diz em alto bom som que não pode ser livrar de tudo assim tão fácil.
    Espero que tenham gostado do nosso post de hoje. Descanse em paz, David Bowie! Sua passagem por aqui, me fez crescer e aprender bastante sobre a arte. Para quem não conhecia o trabalho dele, recomendo procurar alguns trabalhos para que a paixão aconteça de uma vez.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Conexões Musicais- Nando Reis


    José Fernando Gomes dos Reis, vulgarmente conhecido como Nando Reis, nasceu em 1963. Baixista, Cantor e Violinista. Nando possui diversos sucessos que ele compôs e que ficaram famosos nas vozes de outras pessoas, como: Cássia Eller, Skank, Cidade Negra, entre outras bandas. 
    Nando começou sua carreira na banda Titãs no começo da década de 80, ele ficou na banda até 2001, após o lançamento do disco "A Melhor Banda De Todos Os Tempos Da Última Semana" Mesmo estando com a banda, isso não o impediu de compor músicas para outras bandas e pessoas. 
     Além disso, Nando Reis também foi construindo sua carreira solo com os Infernais concomitantemente com os Titãs, mas a banda se consolidou de fato após a saída do mesmo dos Titãs. 
     Nando Reis, além de ter composto músicas para outras pessoas. Também produziu discos de outras bandas e pessoas, como: Jorge Ben Jor, Cássia Eller, Maskavo, Nomad e Vange. São Paulino assumido, tendo participado na televisão de diversas reportagens sobre o clube, junto com Nasi do IRA. 
    Por esse amor tamanho ao clube, fora convidado para selecionar a trilha sonora de dois documentários do clube. O da conquista do Mundial em 2005 e o que conta a história dos seis títulos do Campeonato Brasileiro. Nando inclusive compôs uma música para o time que pode ser conferida no vídeo abaixo.

     O trabalho que ele produziu em 1994 com a banda Nomad não fora encontrado no Spotify. Mas encontrei o álbum no soundcloud e ele pode ser conferido a seguir.



    Além dos filmes sobre o São Paulo, Nando participou da trilha sonora do filme 2 filhos de Francisco junto com Wanessa Camargo. Espero que gostem desse conexões musicais dessa semana. Aceitamos dicas, comentários, críticas e sugestões. Até a próxima. Divirtam-se com a playlist.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Led Zeppelin- Led Zeppelin I


    Led... Se eu ousasse a definir- esse gigante que devastou corações, devastou mundos, mudou gerações- com uma palavra apenas. Acho que alto seria a melhor definição para essa avalanche louca e desenfreada que foi essa banda.
    Alto, escute bem alto o que esses jovens (na época) tem a dizer; a gritar, a se permitir...
    O ano é 1969, Jimmy Page que recentemente fora abandonado pelos seus companheiros de banda, se vê sozinho com mais alguns shows do Yardibirds para cumprir. O que lhe falta é uma banda para que possa continuar a sua caminhada. Que não havia sido curta, ele era um dos guitarristas mais requisitados da Inglaterra para gravar em estúdio para outras pessoas.
    Jimmy precisava de uma banda e tinha que ser das boas. Pois os Yardibirds já estava fadado a não mais crescer e ele sabia que podia muito mais do que só fazer um The New Yardibirds, como foram chamados assim que conseguiu recrutar John Paul Jones (baixo, teclado) com quem já tocara; John Bonham (bateria) e Robert Plant (Vocais) que foram garimpados de bandas menores, mas que estavam conseguindo colocar o pão de cada dia em casa.
    Todos toparam entrar de cabeça nesse projeto encabeçado por Jimmy Page (Guitarra) e Peter Grant (empresário da banda).
    Rumando pelo incerto e buscando trazer uma nova cara para o Blues e para o Rock, os quatros partem para o estúdio e gravam essa energia, essa aura, esse grito.
    O álbum se inicia de forma abrupta, socando a sua porta (no caso o seu ouvido) com o riff de Good Times, Bad Times, com a bela voz de Plant, a bateria incendiária de Bonham (que parece tão sobrenatural ao fazer aquilo com apenas um bumbo e um pedal) e o baixo cheio de groove de Jones.
    A segunda música Babe I´m Gonna Leave You tem uma presença forte e marcante, mesmo não sendo uma música com guitarra em sua estrutura principal, mas possui dedilhados lindíssimos e inebriantes e a construção da música para a alternância de momentos mais calmos para os mais agitados também é deveras interessante.
    You Shook Me que na minha humilde opinião é a melhor música desse álbum, começa com um jeito de Blues de raiz, com a voz arrastada de Plant. Parece um convite para algo a mais, a música vai te envolvendo, criando aquele clima até que chegamos aos 2 minutos da música e Jones nos presentea com um belíssimo solo de teclado e Plant mostra para que veio mandando a ver com a gaita. Para mim, essa música simboliza claramente o que Page queria com a banda. Viver o Blues, sentir o Blues; mas com a cara dele. Com a cara da banda. Amo o jeito de como no final da música Page e Plant fazem um jogo de pergunta e resposta que culmina com Plant cantando "You Shook me on-on-on-on-on".
    Uma particularidade de You Shook Me é que ela é uma música de Willie Dixon, mas que ficara famosa na voz de Muddy Waters. A particularidade não está nesse fato, mas reside na questão em que Jeff Beck (ex companheiro de Page no Yardbirds) havia acabado de lançar um álbum solo que continha a mesma música e ele mostrara para Page o álbum e mesmo assim optou por colocar You Shook Me em seu primeiro álbum do Led como uma forma de provocar Jeff e mostrar que era melhor (mesmo que ele nunca tenha confirmado expressamente isso). Confira aqui a diferença entre as canções e a versão do próprio Dixon.

    

    Dazed And Confused. Atordoado e confuso, é assim que me sinto após ouvir essa música que vem como uma pancada para os ouvidos. Essa bela música sempre fora um dos carros-chefe do Led, especialmente em suas apresentações ao vivo que costumavam chegar a mais de 20 minutos com um belo solo de Page e com Plant sempre o ajudando. Eis um vídeo do show realizado pela banda em 1976 no Madison Square Garden em Nova Iorque (cujo título da filmagem ganhou o nome de The Song Remains The Same). Esse solo tem apenas uma curiosidade que é a marca registrada de Page.   Ele toca sua Gibson Les Paul com um arco de tocar violino (por mais original que isso pareça, Jimmy vira alguém fazendo isso em algum que ele fora na Inglaterra)


    O álbum continua com Your Time Is Gonna Come que tem uma excelente introdução harmônica com Jones tocando um órgão que culmina com as Plant cantando "Lying, Cheating, Hurting/ It's all you seem to do" e com esse espírito de vingança pelo coração quebrado em milhares de pedaços a música segue.
    A música se emenda com Black Mountain Side que é totalmente instrumental e cercada de nuances e camadas sonoras. Tem um espírito que te convida para uma aventura nos campos da Inglaterra. As notas dessa canção são bem construídas e executadas o que gera um contraste com a próxima música que é Communication Breakdown que é bem mais rápida, alta e agitada. Communication é a música que fez com que o Led fosse comparado bastante com o Black Sabbath, especialmente por causa de Paranoid (do álbum homônimo e o segundo da banda) que por sinal fora inspirada na composição do Led, assim como já afirmara Geezer Butler (baixista da banda) em entrevistas.
    I Can't Quit You Baby volta para a pegada mais calma em contra composição a Communication, mas ela tem seus ápices de altura, especialmente quando Plant solta a voz para expressar para sua amada que ela não pode abandoná-lo e com Page fazendo a guitarra sofrer.
    How Many More Times, última canção do álbum e a mais longa começa com um ritmo envolvente que culmina com a banda fazendo uma espécie de Jam no meio da música com experimentalismo na bateria de Bonham com diversas viradas e um belo solo de Page. Melhor jeito de terminar um álbum.
    Ainda tenho muita coisa para falar do Led, mas um post é muito pouco para isso. Mas não posso deixar de citar a grande discussão que gira entorno da banda que é sobre os plágios e músicas não creditadas, pois é sabido que a banda pegou muita coisa emprestada de artistas do Blues e não deu o devido crédito e depois teve que pagar diversas indenizações, só nesse álbum temos três músicas. Prometo em breve escrever mais a fundo sobre essa questão, mas ela demanda bastante estudo. Mas farei assim que possível. Espero que gostem do álbum e do blog. Participe você também. Nos mande sugestões de bandas, críticas e comentários. Até a próxima, gente. 
    

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Linkin Park- Meteora


Bom, pra começar sinto que devo iniciar minhas atividades nesse blog com o primeiro CD que me despertou algo mais pela música. Sabe aquele álbum que você sabe todas as letras, as ordens das músicas e consegue cantar todas as músicas de cor? Inclusive foi com essa banda que comecei a aprender inglês e acredito que muitas pessoas da minha geração também. Hoje quero falar sobre uma das principais bandas do, assim chamado, movimento “nu metal”, Linkin Park

O primeiro CD que ouvi da banda, ao contrário de muitos, não foi o aclamado disco de estreia “Hybrid Theory” (2000), mas sim o segundo da banda, “Meteora” (2003), com os singles “Numb” e “Breakin the Habbit” que alavancaram ainda mais o sucesso da banda que já se fortalecia no cenário mundial desde a virada do século. A banda sempre contou com a mesma formação: Chester Bennington (vocal), Mike Shinoda (vocal, rap, guitarra rítmica e piano/teclado), Dave Farrell (baixo), Rob Bourdon (bateria), Brad Delson (guitarra) e Joe Hahn (DJ, fonógrafo e sampler).

Este CD, assim como seu antecessor, tem uma característica marcante: as múltiplas linguagens de estilo. Algo que se tornou marca registrada da banda. O álbum é perfeito pra uma mistura cultura. Tem Rap, gutural, scratches de música eletrônica e letras fortes o bastante para uma juventude carente de letras de impacto que contrastavam com (lembre-se, estamos falando de uma época onde o que era mainstream eram boybands e ícones pop).

Com guitarras pesadas e letras claras e falando quase sempre sobre relacionamentos, a banda consegue conquistar fãs nos primeiros acordes de “Foreword”, que serve de prelúdio para “Don't Stay” e já é possível ver as influências de ritmos de rua e o casamento perfeito das vozes de Chester Bennington (gutural e vozes melódicas) e Mike Shinoda (Rap e resposta nos refrões).

Assim como os scratches, os samplers de Joe Hann servem como base em muitas canções deste CD e trazem o ouvinte ao ambiente da música com facilidade, como podemos observar mais atentamente na intro, já citada, “Foreword”, “Lying From You”, “Figure 09”, “Nobody's Listening” e nos hits “Breaking the Habbit” e “Faint”.



O disco é tão didático que 46 minutos passam diantes dos seus ouvidos e você não percebe. Apesar da mistura de influências, o disco continua o trabalho do álbum de estreia da banda, “Hybrid Theory”. Os dois álbuns juntos, sem dúvida ajudaram a popular o estilo “nu metal” e trazer para o público geral um rock não tão pesado, com elementos que agradavam, algo que se tornou notável quando a banda ganhou o Disco de Diamante, o prêmio mais alto considerado por vendas de discos. Feito este concedido à banda pela venda de 10 milhões de cópias de com seu álbum de estreia, apenas nos Estados Unidos. No mundo todo, o CD ultrapassou a marca de 30 milhões de cópias vendidas.